Acontece sempre. Basta a permissividade do céu cinzento a uma nesga de sol e o Coroneu começa a soprar bolhas de saudade com a palavra Brasil lá dentro. Não só o Brasil dos turistas mas também. Quando algum amigo fala maravilhado das férias, o Coroneu não consegue evitar e pensa
O Brasil é meu não é teu
ou então
Esse não é o Brasil eu é que sei o que é o Brasil.
E o Brasil para o Coroneu é andar de fusca a álcool e saborear suco de cana da mesma cana que alimenta o fusca e faz a cachaça das caipirinhas. É saber que nem todos os estados deliram com o carnaval. É saber a diferença entre suco e vitamina. Lanchar um milk shake. Comprar fichas para os telefones públicos. Ouvir quero-queros e admirar jabirús. Negociar preços no camelô dizendo Ó cara eu não sou gringo. Usar fichas na corrente de 3 pólos. Dizer frigobar e criado mudo e caiu a ficha e papetes e toda a vida recto e perguntar Oi? Conhecer a história dos bandeirantes. Respirar Pantanal e tropeçar numa cobra cara-de-sapo. Resolver abacaxi. Ver prendas dançar. Fazer chupeta ao carro. Ler o H como R. Pegar mototáxi. Democratizar MPB, Bossa Nova, Axé, Forró e Afoxé. Descomplexar espiritismo, candomblé e orixás, mães de santo e pajés.
Acontece sempre. Com o sol o Coroneu viaja na maionese. E pensa Eu é que sei o que é o Brasil. Mas não sabe. Só os brasileiros sabem do que ainda há tanto para saber. Ao Coroneu até regressar resta-lhe soprar bolhas de saudade com a palavra Brasil lá dentro.
