"(...)But I, being poor, have only my dreams.
I have spread my dreams under your feet;
tread softly, because you tread on my dreams."
'He Wishes for the Cloths of Heaven', William Butler Yeats
Está frio na varanda do 3º andar. É a 3ª vez que o Coroneu habita um 3º andar. Há qualquer coisa com o 3º andar. À noite a rua do Coroneu fica deserta, habitada de carros adormecidos e de janelas às escuras. O Coroneu estende o braço, empertiga o indicador e a rua transforma-se num rio de lama incandescente. Já não está tanto frio. De seguida o Coroneu estende o braço, empertiga o indicador e os carros são águias, as portas abertas asas e o capôt um bico enorme. Olha para cima. Vêem-se estrelas, algumas. O Coroneu empertiga o dedo e caiem lâmpadas laranjas que se fundem ao cair na lava que é a rua. Já não está frio. O Coroneu fica ali na varanda a olhar a lava que escorre em baixo, a olhar carros a subir para o céu e a olhar chuvas de lâmpadas luminosas com insectos lá dentro. Maravilhoso. Por isso o Coroneu tem sempre cuidado ao passar numa rua. Não quer pisar os sonhos de quem não dorme.
